
A cidade de Nova York começou o ano de 2026 com uma forte turbulência política. Apenas algumas horas após assumir o cargo, o novo prefeito, Zohran Mamdani, assinou decretos que revogaram medidas importantes de combate ao antissemitismo e restrições ao movimento de boicote a Israel (BDS). A decisão gerou uma reação imediata e duríssima do governo israelense, que classificou o ato como "gasolina em um incêndio".
Neste post, vamos entender o que foi revogado, por que Israel está protestando e o que isso significa para o futuro da maior comunidade judaica fora de Israel.
O que exatamente foi revogado?
O prefeito Mamdani utilizou sua autoridade executiva para anular uma série de ordens assinadas por seu antecessor, Eric Adams. Entre os pontos mais polêmicos estão:
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A Definição da IHRA: Foi revogada a adoção formal da definição de antissemitismo da International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA). Essa diretriz era usada para identificar crimes de ódio e incluía, em seus exemplos, certas críticas ao Estado de Israel que poderiam ser interpretadas como antissemitas.
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Fim do veto ao Boicote (BDS): Foi anulada a ordem que proibia agências municipais de desinvestir ou boicotar empresas israelenses. Com isso, abre-se caminho para que o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) ganhe força institucional na cidade.
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Limitações de Protesto: Medidas que instruíam a polícia (NYPD) a criar zonas de proteção específicas ao redor de locais de culto para evitar protestos agressivos também sofreram alterações.
A Reação de Israel: "Um rosto revelado"
O Ministério das Relações Exteriores de Israel não poupou críticas. Em um comunicado oficial nas redes sociais, o governo israelense afirmou que Mamdani mostrou sua "verdadeira face" logo no primeiro dia de mandato.
"Isso não é liderança. É gasolina antissemita em um incêndio aberto", declarou o porta-voz do ministério.
Para as autoridades israelenses, a revogação dessas medidas envia uma mensagem de tolerância ao ódio religioso e enfraquece a segurança dos cidadãos judeus em Nova York, especialmente em um momento de alta tensão global.
A Defesa do Prefeito: "Uma Folha em Branco"
Zohran Mamdani, que fez história como o primeiro prefeito muçulmano e o mais jovem em mais de um século em Nova York, defendeu sua posição alegando a necessidade de um "recomeço".
Segundo ele:
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As ordens anteriores foram assinadas em um contexto de crise política do governo anterior.
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É preciso distinguir claramente entre antissemitismo (que ele prometeu combater com mais verbas para prevenção de crimes de ódio) e a liberdade de criticar políticas governamentais.
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Sua administração focar-se-á em uma "política de universalidade" e na proteção de todos os nova-iorquinos, sem exceção.
O Impacto na Comunidade Local
A decisão dividiu a cidade. Enquanto grupos de direitos civis e ativistas pró-Palestina celebraram o que chamam de "restauração da liberdade de expressão", organizações judaicas tradicionais expressaram profundo medo. A preocupação é que, sem uma definição clara de antissemitismo, ataques verbais e físicos possam ser normalizados sob o manto da "crítica política".
